sábado, 20 de novembro de 2010

Perguntas a si mesmo.

Caminhando sobre um enorme deserto, Chrona se ver ali, solitário como sempre.
O que eu devo fazer?
Meu lugar, minha área. Há um círculo em volta dela.
O que eu devo fazer?
Não consigo ter uma idéia chutando a areia. A luz de um sol sem vida brilha sobre mim. Talvez eu não devesse fazer nada.
Sentado dentro do circulo por algum tempo, sua própria sombra aparece de frente a ele, com o formado dele mesmo refletindo na areia.
- Ou eu sou Chrona
Ai está. Sempre acontece isso quando não estou fazendo nada.
- Posso fazer algumas perguntas a você?
- Bem, eu farei.
Agora, estou fazendo perguntas a mim mesmo, embora eu não queira fazer nada.
- Eu posso não responder se quiser?
- Eu não me importo.
- Bem, começarei a perguntar.
- Você pode me dizer seu nome?
- Passo.
- Por que você não diz sequer seu nome a alguém? Você tem algum motivo?
- Passo.
- Parece que você não é o tipo de pessoa que responde diretamente às perguntas. É por isso que você está sentado aqui fazendo perguntas a si mesmo em uma tentativa de manter sua sanidade?
- Passo.
- Novamente? Se continuar fazendo isso, não chegaremos a lugar algum. Não concorda?
- Passo.
- Você acha que alguém notará você se ficar aqui aborrecido? Ou será que você não percebe que ninguém se importa com você ou seus problemas?
- Passo.
- Você já passou cinco vezes. Vamos mudar um pouco de assunto. O pequeno dragão, sua primeira vítima. Como você se sentiu após matá-lo?
- Passo.
- Você não ficou excitado por finalmente encontrar alguém mais fraco que você?
- Passo.
- Você achou isso e como Medusa-sama disse, você não teve dúvidas quanto a buscar aquele poder.
- Passo.
- Acho que você ficou muito forte. O que você acha?
- Passo.
Em quanto isso, a sombra segurando um graveto, iria marcando na areia todas as vezes que ele passava às perguntas.
- Então, você conseguiu escapar do inferno dentro de sua cabeça?
- Passo.
- Vamos, responda às minhas perguntas. (Uma lagrima se forma no olho da sombra.) Isso significa que o inferno se tornou ainda maior?
- Passo.
Um bom tempo havia passado e nada de Chrona responder o que lhe era perguntado.
- Você passou quarenta e uma vezes. Então você nem mesmo reconhecerá minha existência? Você é tão cruel! você é terrível!
Assim pela primeira vez Chrona responde uma de suas perguntas.
- Eu não me lembro de ser criticado por você. Por que você sempre me segue? É por causa que todos à minha volta se machucam. Se você não estivesse por perto...
- O que você está dizendo? Você quer ser uma personalidade própria? Você não pode me tratar assim, sabia? O que você está sentindo é normal. Todos possuem esse sentimento. É mais fácil dizer isso e fugir, não é?
- Mas...
- Você não sabe como lidar com isso? A única coisa que você está fazendo é negar-se o tempo todo. Aonde você está tentando ir?
- Passo.
Um breve silencio se passou sobre eles.
- Este é o nosso limite. Eu vou embora agora.
E logo a sombra desapareceu levantando poeira, Chrona pega o pequeno graveto no chão e marca mais um risco na areia.
- Quarenta e duas.
Chrona já se via chorando, solitário em o circulo a sua volta.
- conseguir responder a ela... Eu sou a Espada Demônio, Chrona.
Por de traz dela aparece uma voz familiar, Maka sua atual rival, mas sua futura amiga.
- Eu escutei você.
Chrona se assusta com aquela figura, parada ali diante dela.
- Posso ir até ai?
- Espere, você não pode!
- Por que?
- Não ultrapasse a linha! Este é meu lugar.
- Como assim?
E Maka invade sem pensar duas vezes a barreia que Chrona havia colocado para que ninguém invadisse seu espaço.
- Não... Isso não é bom! Por que você ultrapassou a linha? Ninguém deveria entra aqui.
- Está linha?
- E que não sei como lidar com isso. No entanto, se eu estiver dentro desse círculo estarei seguro! Não adianta, se você conseguiu entrar aqui, não tem sentido.
Sem dar muita idéia as palavras de Chrona, Maka começa a chutar a areia assim desmanchando o círculo.
- É possível apagar a linha facilmente!
- Não! Não faça isso!
A linha já toda desfeita, Maka se limpa por causa da poeira que acabou levantando.
- Pronto! Ela desapareceu.
Chrona fica ali parada olhando para o nada, e o vento batendo em seu rosto.
- Fique longe!
Enquanto isso maka caminhava, para perto de Chrona, assim chegando perto, ela lhe abraça confortavelmente. Chrona fica novamente chocado com aquilo, pois nunca foi abraçado por ninguém.
- Não tenha medo. Está tudo bem. Você só está um pouco chateado por que a linha foi apagada. Está tudo bem. Pois... Agora, eu o compreendo... As ondas de sua alma, não é que você não sabia como ficar perto das pessoas, e que ninguém nunca se aproximou de você.
Dai vinha imagens de Medusa-sama na memoria de Chrona. Como sempre tão distante dele.
- Está tudo bem - disse Chrona - De qualquer modo, ela desistiu de mim, sei que não sou mais necessário. Eu já disse a algum tempo, mais isso não é problema. Eu irei simplesmente desaparecer.
Maka tira de seu bolso um livro, e derrepente bate de com ele na cabeça de Chrona, não foi na intenção de machucá-lo é claro. E a seguir Maka estende sua mão para Chrona.
- É por isso que... acho que deveríamos ser amigos. Por favor!
Um sorriso sai do rosto e Maka, e lagrimas escorrem pelo rosto de Chrona. Ainda olhando aquela mão estendida Chrona diz;
- Não pode ser - e começa a chorar dizendo - Eu não sei como lidar com isso!
Chrona levanta a cabeça, e segura a mão de Maka, assim sobre a areia, formando duas sombras sorrindo de mãos dadas.

Medo de se aproximar das pessoas... eu também tenho medo.

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